quinta-feira, 23 de abril de 2020

O Tesouro Esquecido (2019)


BIFF - Sempre que vejo alguma coisa sobre pintura, lembro de A Coleção Invisível, de Bernard Attal. Qual a importância da arte para uma pessoa. Existem aquele que compram arte por status e vivem expondo valores ao invés de sentimentos. E existem aqueles como o brasileiro Chagas Freitas, que comprou e manteve muitas obras fora do eixo realismo socialista em plena RDA, e que agora mostra sua paixão no documentário O Tesouro Esquecido, dirigido por Tom Ehrhardt.

Chagas Freitas foi um representante cultural do Brasil na Alemanha Oriental. Em cerca de sete anos adquiriu uma grande coleção de desenhos e pinturas de artistas que iam além do realismo socialista proposto pelo governo da época. Com isso, também vieram a amizade desses artista que em seu interesse, acharam motivos de persistirem em seus trabalhos. No momento em que o documentário estava sendo gravado, ele procurava um forma de dar visibilidade a sua coleção e também uma maneira de preservá-la. Viajando novamente a Alemanha, encontra seus amigos e o jeito de expor todas as sua obras.

Ver essas obras é também viajar pela história da Alemanha Oriental. Os depoimentos e fotografias nos mostram como eram as coisas na época em que o artista era incentivado e, ao mesmo tempo, reprimido. O caso é que o governo fornecia meios para que cada uma estudasse e trabalhasse com isso, mas deveria ser feito o que era proposto e o que fugisse disso, seria colocado na obscuridade e esquecido. Tendo a acreditar que muitas dessas obras teriam sido perdidas se não fosse a caçada de Freitas, que reuniu cerca de dois trabalho de mais de cem artistas.

O documentário gira em torno da importância que essas obras têm em preservar a história da RDA. Em tudo o que os artistas viveram, os momentos bons e ruins, a inovação e sagacidade que precisaram para continuar suas carreiras. E também a necessidade de mostrar isso a outras pessoas, para que a arte e a história de um momento que o governo tenta esconder não sejam esquecidos.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Cano Serrado (2019)


BIFF - É difícil produzir um filme de ação no Brasil. Embora o país conte com bons filmes que seguem esse ritmo (veja Bacurau como exemplo), não é algo atrelado ao cinema nacional. Mas Erik de Castro (mesmo diretor de Federal) arrisca e traz Cano Serrado, um policial que se encaixa no western brasileiro e desperta uma discussão sobre justiça em um lugar onde todos são vilões. Onde a verdadeira busca pelos culpados fica além do que é visto na tela e nos faz pensar, mesmo que pouco, sobre os caminhos que seguimos.

Luca (Jonathan Haagensen) é um policial da capital, ele e um amigo seguem em viagem ao interior escutando e com o intuito de participar de um grupo de orações. As coisas começam a acontecer quando param para jantar, onde logo depois são atacados pela guarda militar da região. O amigo de Luca morre no ataque, ele é levado como suspeito e deve confessar sua participação em um assalto no qual o caminhoneiro foi morto, caminhoneiro esse que é irmão do Sargento Sebastião (Rubens Caribé), da Guarda Militar.

O filme desperta algumas ideias. Como as injustiças que acontecem e o que as motivam. A atuação de policiais em cidades interioranas, como diz Sebastião "na nossa cidade quem manda é nóis". Mas o problema é que a história, também de Erik de Castro, não se aprofunda verdadeiramente em nenhum dos casos. O diretor aposta mais na ação, que existe e até nos deixa apreensivo, mas em diálogos soltos e forçados, faz faltar aquela sensação de imersão.

Cano Serrado possui seus méritos, Castro consegue esconder muita coisa para o momento adequado, que pode até surpreender. O que atrapalha são os diálogos forçados que deixam a sensação de ausência. Como se os personagens não estivessem realmente presentes na cena, quando o filme é montado com seus flashbacks conseguimos entender melhor a história, mas mesmo quando chega ao fim, ainda falta algumas coisas para que ela esteja realmente completa.