quinta-feira, 4 de junho de 2020

Ruivaldo, O Homem que Salvou a Terra (2019)


ECOFALANTE - A Mostra Ecofalante foi adiada para o segundo semestre deste ano, mas para que a semana do meio-ambiente não passe em branco, os organizadores selecionaram 5 filmes, sendo dois brasileiros e três estrangeiros, que serão exibidos de forma gratuita até o dia 09 de junho.

Começamos com Ruivaldo, O Homem que Salvou a Terra, dirigido por Jorge Bodanzky e co-dirigido, e com fotografia lindíssima, por João Farkas. A produção mostra a degradação do Pantanal brasileiro, ocorrida em maior parte por causas naturais, mas também por grande descaso de fazendeiros negligentes ao ambiente e descaso de instituições governamentais que deveria preservar a região. O ponto de partida é o Rio Taquari, que tem toda sua extensão como protagonista, talvez o ponto onde mais vemos as mudanças que foram acontecendo no decorrer dos anos.

Já o personagem que dá título ao documentário, se trata de um verdadeiro achado da região. Ruivaldo é um fazendeiro da região próxima ao rio Taquari. Usando sacos de areia, consegui evitar o alagamento em boa parte do terreno de sua fazenda, onde hoje consegue plantar e criar alguns animais. Sem tomar qualquer partido político ou estar atrelado a movimentos ativistas, Ruivaldo persiste e mostra porque ama o Pantanal, tendo como único desejo preservar a terra a ponto de seus antigos vizinhos também conseguirem retornar e trabalhar nela. Embora apareça pouco, sua presença é essencial para que entendemos a necessidade da preservação do lugar, fazendo jus ao título.

Embora o filme se trate mais de uma denúncia que puro entretenimento e a maioria das imagens que temos sejam desoladoras, João Farkas traz uma fotografia belíssima, que emociona. Seu trabalho já possuía essa atitude emergencial, mostrando ao mundo a situação de lugares remotos, muitas vezes degradado por puro descaso.

Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra é urgente. Bodanzky abre nossos olhos para o que hoje ninguém vê, por falta de interesse ou informação. O filme teve sua estreia em Bruxelas no ano passado e agora chega com esse pocket da Ecofalante, mas espero ter a oportunidade de ver toda essa fotografia na tela grande.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Os 8 Magníficos (2017)


Imagina como seria juntar grandes nomes do cinema nacional para um almoço de domingo. Foi isso que o diretor Domingos de Oliveira fez em 2017. Maria Ribeiro, Wagner Moura, Mateus Solano, Carolina Dieckmann, Alexandre Nero, Fernanda Torres, Sophie Charlotte e Eduardo Moscovis são Os 8 Magníficos que nos levam aos bastidores do trabalho de ator. Com o roteiro abandonado antes mesmo das gravações começarem, Domingos de Oliveira deixa o momento guiar a trajetória desse doc que tem muito a nos dizer.

São muitas gargalhadas e cantoria em uma conversa descontraída, alheia a técnicas ou alguns outros artífices do cinema. É tudo bem espontânea, Domingos não se importa com o movimento da câmera, ou a fotografia. O importante é o conteúdo e isso tem de sobra. Durante a conversa vemos improvisações diferenciadas, descontraídas, e criação de histórias que provocam inúmeros sentimentos, mesmo quando são feitas sem compromisso algum. Além disso, temos revelações profissionais e pessoais de cada ator, como foi interpretar certo personagem, ou como aquele outro interferiu em sua vida pessoal. 

A bem da verdade, Os 8 Magníficos não traz nada de muito glamouroso em sua produção. A qualidade do doc fica por conta da experiência de cada ator que traz em suas bagagens uma imensa pluralidade de aprendizado. Vê-se que Domingos de Oliveira, que faleceu no ano passado, gostava de trabalhar entre amigos, seu elenco sempre trouxe nomes de filmes anteriores, e talvez por isso conseguiu de uma maneira tão simples transpassar essas histórias para o público.

O que temos é um ensaio sobre a profissão ator, trazendo a tona as dificuldades e peculiaridades do ofício. Domingos de Oliveira pouco trabalha durante a filmagem, mas faz por merecer os créditos pela ideia de juntar todos esses nomes que tão bem representam o cinema nacional em uma sala, onde tiram a máscaras e nos permitem participar de uma conversa entre amigos.