quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Depois Daquele Baile (2006)


Lembrei de Depois Daquele Baile enquanto falava sobre a importância de atores como Lima Duarte para a TV brasileira, e o infeliz desconhecimento que tenho de atores da nova geração. O filme de estreia de Roberto Bomtempo como diretor de cinema (até então ele só havia dirigido telenovelas) é de uma leveza e simplicidade que surpreende.

Um elenco forte (Marcos Caruso, Irene Ravache e Lima Duarte) e uma história simples, desde que bem amarrada, é o que dá aquela sensação de tempo bem aproveitado em um final de domingo. É isso que o diretor Roberto Bomtempo nos entrega em Depois Daquele Baile.

Com brilhantes atuações de Marcos Caruso, Irene Ravache e Lima Duarte, a história nos mostra um triangulo amoroso entre amigos. Esse relacionamento traz nostalgia a alguns personagens e vemos concepções diferentes do passado de cada um, enquanto Caruso sente falta do que passou, Lima Duarte tenta esquecer e fica desconcertado sempre que o assunto entra em destaque. Já Ravache (que atuação!) está feliz com seu presente e mesmo achando o passado essencial para sermos quem somos, vive um dia de cada vez, sem pensar muito no amanhã.

Embora simples, o filme traz boas surpresas que nos deixam mais envolvidos com os personagens. Em alguns momentos procurei o motivo do título, até achei que ele apareceria mais para frente e é isso mesmo, mas sempre, como garante Caruso, remetendo o passado.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Cafarnaum (Capharnaüm, 2018)


O Festival de Cannes é a porta de entrada para grandes produções. Ovacionado por 15 minutos no festival, onde levou a Palma de Ouro (maior prêmio), Cafarnaum é o novo trabalho da diretora libanesa Nadine Labaki (do excelente E Agora Onde Vamos?, 2011). A história nos leva a uma odisseia pelas favelas se Beirute, preenchida de tensão e indignação.

Zain (Zain Al Rafeea) acha que tem 12 anos - ele ou a família não sabem ao certo -, mas está apto a empilhar mercadorias no venda onde trabalha, entregar botijões de gás e vender suco pelas ruas, tudo para garantir seu sustendo e de mais uma leva de irmãos. E essa é sua maior indignação. Não parece se importar em trabalhar, o que mais o revolta e seus pais continuarem tendo filhos diante daquela miséria. Por isso deseja processá-los. Mas a história não é tão simples assim, existe uma trajetória que Zain nos leva, mostrando as atrocidades na qual diversos refugiados estão expostos.

Em sua terceira produção, Nadine Labaki aposta em não atores. Mas esses não atores fazem bem seus papéis, já que não vivem tão distante dessa "ficção". Yordanos Shiferaw, que no filme e na vida real é uma imigrante etíope é presa por falta de identificação, dias depois de finalizadas as filmagens, ela é presa pelo mesmo motivo. Zain também é um refugiado sírio que vive praticamente a mesma situação interpretada em Cafarnaum.

Cafarnaum encara uma verdade mundial. Estamos em uma época em que diversas pessoas precisam sair de seu lar para encarar algo incerto, tudo isso por conflitos políticos e, algumas vezes, desastres naturais. Nadine foi fundo na situação vivida por muitos deles e expõe toda essa dificuldade, que precisa ser combatida urgentemente. Em meio a todo caos, Cafarnaum é lindo e mais uma vez vemos a arte chamando a atenção para casos urgentes, que merecem nossa atenção.