sexta-feira, 12 de abril de 2019

A Beira (The Brink, 2019)


É TUDO VERDADE - The Brink é um documentário perigoso. Talvez não seja totalmente partidário, já que a diretora Alison Klayman sempre questiona as ações de Steve Bannon. Mas certamente, como era de se esperar, existe um forte discurso de extrema direita, pois estamos falando do maior percurso populista do mundo, como é mostrado no doc.

Quem não conhece Bannon, lá vai uma rápida biografia de sua vida política. Ex-estrategista-chefe da Casa Branca, ele foi exonerado de seu cargo pouco depois conseguir a eleição de Trump. Ainda assim seguiu influenciando a população norte americana e européia, defendendo sua visão populista global, durante as eleições de 2018. Durante esse tempo foi acompanhado mundo a fora por Klayman, que captou momentos tensos e jantares que Bannon classifica como "casual". 

Existe algo surpreendente em The Brinks. Ao contrário do que pode parecer, Steve Bannon é um cara carismático. Isso faz parte do seu poder de convencimento. Embora não pareça ter convencido as pessoas que estavam no cinema (os bastidores colocam seu discurso em xeque), seu humor afiado conseguiu algumas risadas. Porém, quando seus argumentos são contrariados, ele pode se tornar uma pessoa desprezível, racista e outras coisas que prefiro não mencionar. 

Umas das coisas boas de um documentário é isso, ele não é uma propaganda. Tendo noção disso, a diretora dá espaço para outras vozes. Todos os lados de Bannon são expostos e vemos como muitas de suas ideias parecem fazer sentido para um grupo de pessoas, outras vezes vemos um distorção dos fatos. No fim, gostei do resultado que Alison Klayman alcançou com The Brinks, é um documentário importante para o que está acontecendo na política mundial nos dias de hoje.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Defensora (Advocate, 2019)


É TUDO VERDADE - Nem só de ficção vive o cinema. O Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade é a prova disso.  Chegando a sua 24° edição, o evento reúne 66 documentários nacionais e internacionais que estão sendo exibidos, gratuitamente, em São Paulo e no Rio.

O primeiro longa que consegui ver foi Defensora, da diretora Rachel Leah Jones e Philippe Bellaïche. Lea Tsemel é a personagem central do doc. Advogada Israelense, ela defende palestinos há cinco décadas. Alguns deles são manifestantes não-violentos, militantes armados, fundamentalistas ou feministas, mas o que carregam em comum são as acusações de serem terroristas, mesmo quando não o são.

A produção de Leah Jones e Bellaïche nos mostra uma defensora pública que deveria ser modelo para muitos outros. Lutando contra um sistema nada justo e totalmente partidária nos conflitos entre palestinos e israelenses, Tsemel não se deixa intimidar e  aos poucos busca mudar a situação jurídica de seu país. É triste quando ela afirma que a única vitória que ela alcança é diminuir em um ou dois anos a pena de seus clientes, mesmo quando vemos os casos em que ela trabalha durante o filme (onde vemos duas pessoas desprovidas de culpa e ainda assim julgadas como terroristas). Mas seu empenho é inspirador. São poucos os que conseguiriam ir até um tribunal sabendo que perderia o caso, e são muito menos os que lutariam contra um sistema tão retrógrado, expondo a si e sua família a uma população muitas vezes violenta.

Muitas vezes durante sua carreira, Lea foi denominada advogada do diabo, quando na verdade apenas defendia aqueles que lutavam por seu direito. Com o tempo começou a ser conhecida como uma defensora dos Direitos Humanos, recebendo alguns admiradores. Acredito que essa seja uma das maiores missões do É Tudo Verdade, mostrar as pessoas o que acontece em todo o mundo, dando visibilidade para quem a merece e nos ensinando através de histórias reais.